Eu sou biólogo de formação, acredito em mudanças lógicas e pontuais, acredito também na força do acaso como gerador de novidades, enfim, e viva a Evolução. As coisas mudam sempre, num ritmo até certo ponto previsível, as mudanças, entretanto, nem sempre serão positivas pra quem muda, muitas vezes são apenas mudanças e em alguns casos nada favoráveis.
Podia falar de biologia, mas na boa, isso aqui ficaria um saco. O clima hoje pede futebol, apesar da derrota do Brasil (que até poderia ser o mote), vale a pena falar do outro jogo. Gana e Uruguai protagonizaram uma disputa emocionante, que hora pendeu pra um lado, hora para o outro. Mudou de força como mudam as sonoridades dos batuques produzidos pelos dois povos. Tanto o Candombe uruguaio quanto o Gahu de Gana alternam batidas ritmadas e divertidas que nos convidam a dançar, ambos vieram da mesma África onde se deu o embate futebolístico.
E se fosse no lugar de futebol um duelo musical, provavelmente as nuances das mudanças seriam tão nítidas e emocionantes como as do jogo bretão. O começo leve em ritmo de aquecimento dos africanos contrastando com a melodia já inicialmente agitada e forte dos sulamericanos. Ai com o gol os africanos é que fizeram o povo dançar enquanto o candombe desandou, era a vez do gahu. E assim foi numa alternância o tempo todo, com pequenas variações de compasso em cada equipe, mas sempre com os uruguaios no candombe e os ganeses no gahu.
Eles variaram o tempo todo. Mudaram as músicas, mas não o estilo. Isso ocorre porque as mudanças nunca são assim totais. Ambos vieram do mesmo caldeirão africano, mas em cada ponto foram se firmando com as coisas que foram agregando do lugar e dando origem a novos sons. E cada novo som tem algo que é só seu, sua essência que demora muito a mudar e se mudar deixa de ser aquilo e passa a ser outra coisa.
Hoje gahu e candombe se fizeram fortes e o gahu só guardou os tambores no final do show, até parecia que quem abandonaria o palco seria o candombe, algo que não aconteceu. Foi um lindo show de ambos, daqueles que o público lembra com saudade por anos.
Diferente do que ocorreu com o nosso samba, que teve menos que uma nota só.Já nem samba era mais, perdeu seu gingado, sua malemolência e seu jeito moleque. Era algo sem nome, por isso foi expulso de um palco onde não deixará saudades, nem em quem chorou por sua partida.
Porque mudar é sempre algo necessário, mas mais necessário do que isso é saber mudar mantendo a essência de quem se é.

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Por: Tweets that mention Entre o Gahu e o Candombe, o Samba desandou « Devaneios Lúcidos -- Topsy.com em julho 3, 2010
às 4:43 am
É importante conseguir a continuidade sem continuismo não é mesmo?
Por: zuleid em julho 5, 2010
às 2:57 am
Concordo com vc, é sempre preciso saber que o que não se muda é apenas a essência, aquilo que garante o que se é.
Até a mudança total é aceita, desde que se perceba que quando isso ocorre já não somos mais aquilo que éramos, deixamos tudo pra trás e passamos a ser outra coisa, sem ligação com o passado.
Por: olharesdispersos em julho 5, 2010
às 1:40 pm