Publicado por: Alex Martins | julho 14, 2010

Simples?

Li o post da Lak e confesso que demorei um certo tempo pra digerir. Não que o assunto fosse complexo ou que eu discordasse do que ela escreveu. Nesse ponto, aliás, muito pelo contrário. Sou um ferrenho defensor da ideia  de que “simplicidade é tudo”, ainda mais quando você sabe exatamente o que está fazendo, como mostra a ilustração do touro feita por Picasso. Quando você conhece já o funcionamento da coisa, consegue cortar tudo aquilo que é supérfluo e se prender ao que realmente importa.

Eu queria escrever dessa forma. Queria que meus versos fossem assim, simples e profundos. É ai que sinto inveja de caras como o Drummond que disse frases como essa a seguir:

“O homem vangloria-se de ter imitado o vôo das aves com uma complicação técnica que elas dispensam.”

E escreveu versos maravilhosos como os do poema Canção Amiga (clique para ler), que foi impresso na antiga nota de 50,00 cruzeiros apresentada a baixo(sei que estou velho).

Eis a nota que eu mais curti do nosso dinheiro (nem valia tanto na época)

Admito que de todos os meus versos, só um realmente me deixou feliz pela pretensa simplicidade em relação ao tema, eu o coloco abaixo, nem nome tem, faz parte do meu primeiro livro.

Sempre é tão duro ver o trem partir

Sabendo que é nele que você vai

Eu confesso que até tento sorrir

Mas só lágrimas saem de mim

Enquanto você se distancia mais e mais

Admiro quem consegue fazer coisas simples e belas, outro exemplo é a foto Boy in Senegal de Pierre Holtz. O fotógrafo conseguiu uma poesia numa cena dura e comum, triste e ao mesmo tempo alegre. A simplicidade no passar a mensagem é que torna tudo fantástico, fica fantástico descobrir que a magia está no mais óbvio e comum, na simplicidade que muitas vezes teimamos em esquecer. Por que temos tanto o desejo de ir contra a nossa própria natureza? Até tentei falar disso um tempo atrás no meu blog, quando brinco com a música Diariamente (clique para ler).

Boy in Senegal Pierre Holtz

Eu como biólogo deveria me preocupar mais com isso. Uma das premissas da Biologia é que a natureza é econômica, ela sempre segue o caminho mais rápido prático e óbvio. Por que temos a mania de complicar tanto então?

A Lak perguntou se simplificar vale a pena, bom eu acredito que sim, mas confesso que fui incapaz de produzir uma resposta mais simples para a sua pergunta. Então eu sou obrigado a dizer que sim simplificar vale a pena, o duro é ter capacidade pra fazer isso da forma correta, eu até acho que ela tem, mas admito que infelizmente eu não tenho ainda.


Respostas

  1. Alex,
    Nem sempre a simplificação se faz necessária. Imagine esta foto sem as libélulas ou sem o sorriso ou sem o amigo…
    Quando tentamos listar o essencial temos que nos lembrar que o equilibrio muitas vezes está na convivência com as diversidades…inclusive de expressão!
    Beijos!

  2. Zuleid, grato pelo comentário.

    O que eu chamo de simplicidade é o uso do mínimo necessário para se fazer algo. o não enrolar nas escolhas nem nas formas de se dialogar com o mundo, afinal a natureza busca sempre o mais simples, a maneira menos trabalhosa e mais lógica de se alcançar determinado objetivo. A foto apresenta isso, por que não se divertir com aquilo que está ao alcance da mão? Como os garotos na nuvem de gafanhotos.

  3. hahaha!! Eu pensei que eram libélulas, sendo gafanhotos faz ainda mais sentido: divertir até com o que poderia ser uma tragédia.
    Beijos!


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