Li o post da Lak e confesso que demorei um certo tempo pra digerir. Não que o assunto fosse complexo ou que eu discordasse do que ela escreveu. Nesse ponto, aliás, muito pelo contrário. Sou um ferrenho defensor da ideia de que “simplicidade é tudo”, ainda mais quando você sabe exatamente o que está fazendo, como mostra a ilustração do touro feita por Picasso. Quando você conhece já o funcionamento da coisa, consegue cortar tudo aquilo que é supérfluo e se prender ao que realmente importa.
Eu queria escrever dessa forma. Queria que meus versos fossem assim, simples e profundos. É ai que sinto inveja de caras como o Drummond que disse frases como essa a seguir:
“O homem vangloria-se de ter imitado o vôo das aves com uma complicação técnica que elas dispensam.”
E escreveu versos maravilhosos como os do poema Canção Amiga (clique para ler), que foi impresso na antiga nota de 50,00 cruzeiros apresentada a baixo(sei que estou velho).
Admito que de todos os meus versos, só um realmente me deixou feliz pela pretensa simplicidade em relação ao tema, eu o coloco abaixo, nem nome tem, faz parte do meu primeiro livro.
Sempre é tão duro ver o trem partir
Sabendo que é nele que você vai
Eu confesso que até tento sorrir
Mas só lágrimas saem de mim
Enquanto você se distancia mais e mais
Admiro quem consegue fazer coisas simples e belas, outro exemplo é a foto Boy in Senegal de Pierre Holtz. O fotógrafo conseguiu uma poesia numa cena dura e comum, triste e ao mesmo tempo alegre. A simplicidade no passar a mensagem é que torna tudo fantástico, fica fantástico descobrir que a magia está no mais óbvio e comum, na simplicidade que muitas vezes teimamos em esquecer. Por que temos tanto o desejo de ir contra a nossa própria natureza? Até tentei falar disso um tempo atrás no meu blog, quando brinco com a música Diariamente (clique para ler).
Eu como biólogo deveria me preocupar mais com isso. Uma das premissas da Biologia é que a natureza é econômica, ela sempre segue o caminho mais rápido prático e óbvio. Por que temos a mania de complicar tanto então?
A Lak perguntou se simplificar vale a pena, bom eu acredito que sim, mas confesso que fui incapaz de produzir uma resposta mais simples para a sua pergunta. Então eu sou obrigado a dizer que sim simplificar vale a pena, o duro é ter capacidade pra fazer isso da forma correta, eu até acho que ela tem, mas admito que infelizmente eu não tenho ainda.


Alex,
Nem sempre a simplificação se faz necessária. Imagine esta foto sem as libélulas ou sem o sorriso ou sem o amigo…
Quando tentamos listar o essencial temos que nos lembrar que o equilibrio muitas vezes está na convivência com as diversidades…inclusive de expressão!
Beijos!
Por: zuleid em julho 17, 2010
às 2:40 pm
Zuleid, grato pelo comentário.
O que eu chamo de simplicidade é o uso do mínimo necessário para se fazer algo. o não enrolar nas escolhas nem nas formas de se dialogar com o mundo, afinal a natureza busca sempre o mais simples, a maneira menos trabalhosa e mais lógica de se alcançar determinado objetivo. A foto apresenta isso, por que não se divertir com aquilo que está ao alcance da mão? Como os garotos na nuvem de gafanhotos.
Por: olharesdispersos em julho 17, 2010
às 4:03 pm
hahaha!! Eu pensei que eram libélulas, sendo gafanhotos faz ainda mais sentido: divertir até com o que poderia ser uma tragédia.
Beijos!
Por: zuleid em julho 17, 2010
às 7:21 pm