Já faz algum tempo, mas as coisas se repetem, por isso resolvi escrever sobre isso.
De tempos em tempos algum evento inusitado é amplamente noticiado. Como ocorreu com as chamadas “pulseirinhas do sexo”. Há uma mobilização rápida, conclusões expressas com convicção e muitas vezes de revolta. Vemos então opiniões das mais diversas, inclusive dos chamados “especialistas”. Que parecem estar sempre sentados a espera do acontecido para demonstrarem seus domínios sobre o mesmo, explorados entre comerciais pelos apresentadores das emissoras de TV.
As “pulseiras do sexo” são na verdade um “jogo” ou um código “secreto”, onde quem usa, segundo “o que dizem por aí”, as pulseiras está submetido as “regras do jogo” e se outra pessoa arrebenta uma pulseira, a pessoa que estava usando-a, é obrigada a fazer o que o código determina. Os códigos e suas cores variam de um beijo selinho à uma relação sexual.
As opiniões e boatos se multiplicam. Um acontecimento trágico surge, como foi o estupro ocorrido em Londrina, e a revolta se implanta.
Aí vemos delegados, representantes do Ministério Público, diretores de escola, atribuindo a culpa às tais pulseirinhas. E a idéia imediata é… Proibir.
Parece que muita gente quer tapar o Sol com a peneira…
Um estupro ocorre é a “culpa” é de uma pulseira e não da falta de caráter, de educação do estuprador, da ausência dos pais, da insegurança sentida na pele.
Idéias “fantásticas” surgem, proibam-se as pulseirinhas… Como se criar uma lei que proiba o uso de pulseirinhas fosse acabar com elas ou seu uso…
É esquecido que pais e educadores precisam estar envolvidos com as crianças e adolescentes, é esquecido que é preciso falar, educar, repassar informações importantes a eles, como riscos que correm, respeitar as pessoas, etc, etc. Mas não… Tapemos o Sol com a peneira… proíbesse as pulseirinhas e todos ficam aliviados… Como se adolescentes e crianças não criassem em pouco tempo outro “jogo” que substitua esse.
A falta de envolvimento dos pais nas vidas dos filhos é a verdadeira causa do risco que eles correm. Nada irá mudar, nosso mundo e nossas crianças não estarão seguros enquanto existirem as “pulseirinhas invisíveis”.

O respeito e dignidade resumidas em pulseiras coloridas. A falta de valores, ética e limite está criando monstrinhos coloridos…
Por: Fábio José de Sousa em novembro 6, 2010
às 3:04 pm